h1

GICHIN FUNAKOSHI

janeiro 9, 2008

funankoshi1.gif

(Pai do Karatê Moderno)


Gishin Funakoshi (1869 – 1957)

Fundador do Karatê Shotokan

“Alguém, cujo espírito e força mental, se fortaleceram através das lutas como um desafio, por maior que ele seja. Alguém que suportou longos anos de sofrimento físico e agonia mental para aprender um soco ou um chute deve ter condições de encarar qualquer tarefa, por mais difícil que ela seja, e de executá-la até o fim. Sem dúvida nenhuma, uma pessoa com essas características, aprendeu verdadeiramente o Karatê-Dô.”

Mestre Gishin Funakoshi


A história do Mestre Gishin Funakoshi se confunde com a própria história do Karatê, por isso a ele é creditado o título de “pai do Karatê moderno”, devido aos seus esforços em divulgar essa arte para o mundo e torná-la acessível a todos.
Gishin Funakoshi nasceu em 1869 em Shuri, distrito de Yamakawa-Cho, Okinawa, no mesmo ano da Restauração Meiji.

Era filho único, e logo após o seu nascimento fora levado para a casa dos seus avós maternos, com quem foi educado e aprendeu poesias clássicas chinesas.

Algum tempo depois ele começou a freqüentar a escola primária, onde conheceu outro garoto de quem ficou muito amigo.
Esse garoto era filho de Yasutsune Azato, um dois maiores especialistas de Okinawa na arte do Karatê, e membro de uma família das mais respeitadas.

Logo Funakoshi começava a tomar suas primeiras lições de Karatê.

Na época a prática de artes marciais era proibida em Okinawa, e os treinos eram realizados à noite, no quintal da casa do Mestre Azato.

Lá ele aprendia a socar, chutar, e mover-se conforme os métodos praticados naqueles dias.

O treinamento era muito rigoroso.

Mestre Azato tinha uma filosofia de treinamento que se chamava “Hito Kata San Nen”, ou seja, “um Kata em três anos”.

Funakoshi estudava cada Kata a fundo, e então, apenas quando era autorizado pelo seu mestre, seguia para o próximo.


Enquanto praticava no quintal de Azato com outros jovens, outro gigante do Karatê, Mestre Itosu, amigo de Azato, aparecia e observava-os fazendo os Katas, tecendo comentários sobre suas técnicas.

Era uma rotina dura que terminava sempre de madrugada sob a disciplina rígida do mestre Azato, do qual o melhor elogio se limitava a uma única palavra: “Bom!”.

Após os treinos, já quase ao amanhecer, Azato falava sobre a essência do Karatê.

Após vários anos, a prática do Karatê deu grande contribuição para a saúde de Funakoshi, que fora uma criança muito frágil e doentia.

Ele gostava muito do Karatê, mas como não pensava que pudesse fazer dele uma profissão, inscreveu-se e foi aceito como professor de uma escola primária, em 1888, aos 21 anos, aproveitando toda sua cultura adquirida desde a infância quando seus avós lhe ensinavam os Clássicos Chineses.

Esta deveria ser sua carreira a partir de então.

Prestou exame na Escola de Medicina de Tóquio, no qual foi aprovado, mas devido a uma nova lei que proibia aos homens o porte do CHON MAGE (símbolo de virilidade e da maturidade) não pôde realizar seus estudos.

E por esse motivo voltou-se para a pratica e estudo aprofundado do Karatê, no qual se tornaria posteriormente seu representante máximo.

Ele tinha uma personalidade marcante e alguns aspectos como natural benevolência, distinção de maneiras e ímpar gentileza e respeito a todos, alem de uma energia forte, muita coragem, determinação e força mental altamente capacitada, o tornaram uma figura que, para muitos era sinônimo de alguém “mais que humano”, um “tatsujin” (indivíduo fora do comum) ainda mais se contrastando suas virtudes com seu porte físico pequeno (1,67m. para 67 Kg.), sendo admirado por seus contemporâneos.

No começo deste século, em 1902, durante a visita de Shintaro Ogawa, que era então inspetor escolar da prefeitura de Kagoshima, à escola de Funakoshi em Okinawa, foi feita uma demonstração de Karatê. Funakoshi impressionou bastante devido ao seu status de educador.

Ogawa ficou tão entusiasmado que escreveu um relatório ao Ministério da Educação elogiando as virtudes da arte.

Foi então que o treinamento de Karatê passou a ser oficialmente autorizado nas escolas.

Até então o Karatê só era praticado atrás de portas fechadas, mas isso não significava que fosse um segredo.

As casas em Okinawa eram muito próximas umas das outras, e tudo que era feito numa casa era conhecido pelas outras casas adjacentes.

Enquanto muitos autores pregam o Karatê como sendo um segredo naquela época, ele não era tão secreto assim.

O Karatê era “oficialmente” secreto (do mesmo modo que os Estados Unidos nunca penetraram no Camboja durante a guerra do Vietnã).

Contra os pedidos de muitos dos mestres mais antigos de Karatê, que eram a favor de manter tudo em segredo, Funakoshi trouxe o Karatê, com a ajuda de Itosu, até o sistema de escolas públicas.

Logo, as crianças na escola estavam aprendendo os Katas como parte das aulas de Educação Física.

A redescoberta da herança étnica em Okinawa era moda, então as aulas de Karatê em Okinawa eram vistas como uma coisa legal.

Alguns anos depois, o Almirante Rokuro Yashiro (na época Capitão) assistiu a uma demonstração de Kata.

Essa demonstração foi feita por Funakoshi junto com uma equipe composta por seus melhores alunos.

Enquanto ele narrava, os outros executavam Katas, quebravam telhas, e geralmente chegavam ao limite de seus pequenos corpos.

Funakoshi sempre enfatizava o desenvolvimento do caráter e autodisciplina nas suas narrações durante essas demonstrações.

Quando ele participava, gostava de executar o Kata Kanku Dai, o maior do Karatê, e talvez o mais representativo.

Yashiro ficou tão impressionado que ordenou a seus homens que iniciassem o aprendizado na arte.

Em 1912, a Primeira Esquadra Imperial da Marinha ancorou na Baía de Chujo, sob o comando do Almirante Dewa, que selecionou doze homens da sua tripulação para estudarem Karatê durante uma semana.

Foi graças a esses dois oficiais da Marinha que o Karatê começou a ser comentado em Tokyo.

Os japoneses que viam essas demonstrações levavam as histórias sobre o Karatê consigo quando voltavam ao Japão.

Pela primeira vez na sua história, o Japão acharia algo na sua pequena possessão de Okinawa além de praias bonitas e o ar puro.

Em 1921, o então Príncipe Herdeiro Hirohito, em viagem para Europa, fez escala em Okinawa e assistiu uma demonstração de Karatê, liderada por Funakoshi, e ficou muito impressionado.

Por causa disso, no final desse mesmo ano, Funakoshi foi convidado para fazer uma demonstração de Karatê em Tokyo, numa Exibição Atlética Nacional.

Ele aceitou imediatamente, acreditando ser esta uma ótima oportunidade para divulgar a arte. Sua demonstração de Kata foi um sucesso.

Ele pretendia retornar logo para Okinawa, mas, depois da exibição, Funakoshi foi cercado por pedidos para ficar no Japão ensinando Karatê.

Uma das pessoas que pediu para que ele ficasse foi Jigoro Kano, o fundador do Judô e presidente do Instituto Kodokan. Funakoshi resolveu ficar mais alguns dias para fazer demonstrações técnicas no próprio Kodokan.

Algum tempo depois, quando se preparava novamente para retornar a Okinawa, foi visitado pelo pintor Hoan Kosugi, que já tinha assistido a uma demonstração de Karatê em Okinawa, e pediu que ele lhe ensinasse a arte.

Mais uma vez sua volta foi adiada.

Funakoshi percebeu então que se ele quisesse ver o Karatê propagado por todo o Japão ele mesmo teria que fazê-lo.

Por isso resolveu ficar em Tokyo até que sua missão fosse cumprida.

Kosugi foi uma das pessoas que convenceram Funakoshi a ensinar Karatê no Japão.

Ele também o convenceu a registrar todo o seu conhecimento em um livro e prometeu presenteá-lo com uma pintura para a capa.

Essa pintura (desenho ao lado), o Tora No Maki (“Tora” em japonês quer dizer tigre, e “Maki” em japonês quer dizer rolo ou enrolado), foi usada para ilustrar a capa do livro “Karate-Do Kyohan” para simbolizar força e coragem.

A irregularidade do círculo indica que provavelmente ele foi pintado com uma única pincelada.

O caracter ao lado da cauda do tigre (em cima à direita) é parte da assinatura do artista.

No Japão, Funakoshi foi ajudado por Jigoro Kano, o homem que reuniu tantos estilos diferentes de Jiu Jutsu para criar o Judô.

Kano tornou-se amigo íntimo de Funakoshi, e sem sua ajuda nunca teria havido Karatê no Japão.

Kano o introduziu as pessoas certas, levou-o às festas certas, caminhou com ele através dos círculos sociais da elite japonesa.

Mais tarde naquele ano, as classes mais altas dos japoneses se convenceram do valor do treinamento do Karatê.

Funakoshi fundou um Dojo de Karatê num dormitório para estudantes de Okinawa, em Meisei Juku.

Ele trabalhou como jardineiro, zelador e faxineiro para poder se alimentar enquanto ensinava Karatê à noite.

Em 1922, fora escolhido para representar a arte de Okinawa em uma apresentação em Tóquio para demonstrar a arte do Karatê.

Como já tinha mais de cinqüenta anos, não correspondia, ao mito do “budoka terrível” que o Japão procurava fazer sobreviver, na época, e mesmo assim a sua apresentação foi muito bem sucedida.

Muitos aspectos da personalidade de Funakoshi passaram a ser conhecidos através de histórias daqueles que conviviam com ele, como por exemplo, Genshin Hironishi, seu discípulo que dizia que seu mestre se opunha às gerações vindas após a Segunda Guerra Mundial, pois continuava a seguir hábitos de sua época, anterior a Primeira Guerra Mundial.

Dizia ele que Funakoshi se recusava a freqüentar uma cozinha ou a pronunciar certas palavras japonesas modernas, existentes em sua época dizendo que sem elas passava muito bem.

Uma outra peculiaridade interessante em seu comportamento, é que a primeira coisa que ele fazia era sua toalete matinal que durava cerca de uma hora, durante a qual escovava seus cabelos com infinita paciência, quando então voltava-se em direção ao Palácio Imperial e o saudava com respeito inclinando-se, e após fazia a mesma saudação a Okinawa.

Depois desses rituais tomava o chá da manhã, e se reiterava de seus afazeres do dia.

Em 1922, a pedido do pintor Hoan Kosugi, ele publicou seu primeiro livro: “Ryukyu Kenpo Karatê”, um tratado nos propósitos e prática do Karatê.

Na introdução daquele livro ele já dizia que “… a pena e a espada são inseparáveis como as duas rodas de uma carroça”.

O grande terremoto de Kanto, em 1º de setembro de 1923 destruiu as placas de seu livro, e levou alguns de seus alunos com ele.

Ninguém morreu com o tremor, os incêndios provocaram as mortes.

O terremoto ocorreu durante a hora do almoço, no momento em que cada fogão a gás no Japão estava ligado.

Os incêndios que ocorreram a seguir foram monstruosos, e maioria das vidas perdidas se deveu ao fogo.

Este livro teve grande popularidade e foi revisado e reeditado quatro anos após o seu lançamento, com o título alterado para: “Rentan Goshin Karatê Jutsu”.

Em 1925, Funakoshi começou a pegar alunos dos vários colégios e universidades na área Metropolitana de Tokyo, e nos anos seguintes, esses alunos começaram a fundar seus próprios clubes e a ensinar Karatê a estudantes destas escolas.

Como resultado, o Karatê começou a se espalhar por Tokyo.

No início da década de 30 haviam clubes de Karatê em cada universidade de prestígio de Tokyo.

Mas por que estava Funakoshi conseguindo tantos jovens interessados em Karatê desta vez?

O Japão estava fazendo uma Guerra de Colonização na Bacia do Pacífico.

Eles invadiram e conquistaram a Coréia, Manchúria, China, Vietnã, Polinésia, e outras áreas.

Jovens a ponto de irem para a guerra vinham a Funakoshi para aprender a lutar, assim eles poderiam sobreviver ao recrutamento nas Forças Armadas Japonesas.

O seu número de alunos aumentou bastante.

Por volta de 1933, Funakoshi desenvolveu exercícios básicos para prática das técnicas em duplas.

Tanto o ataque de cinco passos “Gohon Kumite” como o de um “Ippon Kumite” foram usados.

Em 1934, um método de praticar esses ataques e defesas com colegas de um modo levemente mais irrestrito, semilivre “Ju Ippon Kumite”, foi adicionado ao treinamento.

Finalmente, em 1935, um estudo de métodos de luta livre (Ju Kumite) com oponentes finalmente tinha começado.

Até então, todo Karatê treinado em Okinawa era composto basicamente de Katas.

Isso era tudo.

Agora, os alunos poderiam experimentar as técnicas dos Katas uns com os outros sem causar danos sérios.

Nesta época, em 1935, foi publicado seu próximo livro: “Karatê-dô Kyohan”.

Este livro trata basicamente dos Katas.

Funakoshi era Taoísta, e ele ensinava Clássicos Chineses, como o Tao Te Ching de Lao Tzu, enquanto estava vivendo em Okinawa. Funakoshi era profundamente religioso.

Ele tinha muito medo de que o Karatê se tornasse um instrumento de destruição, e provavelmente queria eliminar do treinamento algumas aplicações mortais dos Katas.

Então, ele parou de fazer essas aplicações.

Ele também começou a desenvolver estilos de luta que fossem menos perigosos.

Funakoshi teve sucesso ao remover do Karatê, técnicas de quebras de juntas, de ossos, dedos nos olhos, chaves de cotovelo, esmagamento de testículos, criando um novo mundo de desafios e luta em equipe onde somente umas poucas técnicas seriam legais.

Ele fez isso baseado nos seus propósitos e com total conhecimento dos resultados.

Em 1936, Funakoshi mudou os caracteres Kanji utilizados para escrever a palavra Karatê.

O caracter “Kara” significava “China”, e o caracter “Te” significava “Mão”.

Para popularizar mais a arte no Japão, ele mudou o caracter “Kara” por outro, que significa “Vazio”.

De “Mãos Chinesas” o Karatê passou a significar “Mãos Vazias”, e como os dois caracteres são lidos exatamente do mesmo jeito, então a pronúncia da palavra continuou a mesma.

Além disso, Funakoshi defendia que o termo “Mãos Vazias” seria o mais apropriado, pois representa não só o fato do Karatê ser um método de defesa sem armas, mas também representa o espírito do Karatê, que é esvaziar o corpo de todos os desejos e vaidades terrenos.

Com essa mudança, Funakoshi iniciou um trabalho de revisão e simplificação, que também passou pelos nomes dos Katas, pois ele também acreditava que os japoneses não dariam muita atenção por qualquer coisa que tivesse a ver com o dialeto caipira (do interior) de Okinawa.

Por isso ele resolveu mudar não só nome da arte, mas também os nomes dos Katas.

Ele estava certo, e seus número cresceram mais ainda.

Funakoshi tinha 71 anos em 1939, e foi quando ele deu o primeiro passo dentro de um Dojo de Karatê em 29 de Janeiro.

O prédio foi feito de doações particulares, e uma placa foi pendurada sobre a entrada e dizia: “Shotokan”.

“Sho” significa pinheiro.

“To” significa ondas ou o som que as árvores fazem quando o vento bate nelas.

“Kan” significa edificação ou salão.

“Shoto” (ondas de pinheiro) era o pseudônimo que Funakoshi usava para assinar suas caligrafias quando jovem, pois quando ele ia escrevê-las se recolhia em um lugar mais afastado, onde pudesse buscar inspiração, ouvindo apenas o barulho do pinheiros ondulando ao vento.

Esse nome dado ao Shotokan Karatê Dojo foi uma homenagem de seus alunos.

Daí surgiu o nome de uma escola (estilo) que até hoje é cultivada em várias partes do mundo.

SHOTO (pseudônimo de Funakoshi) e KAN (escola, classe).

A “Escola de Funakoshi”.

A necessidade de um treinamento nas artes militares estava em crescimento. Jovens estavam se amontoando no Dojo, vindos de todas as partes do Japão.

O Karatê foi de carona nessa onda de militarismo e estava desfrutando de uma aceitação acelerada como resultado.

Finalmente o Japão cometeu um grande erro.

O bombardeio das forças navais americanas em Pearl Harbor a 7 de Dezembro de 1941 foi algo além da conta.

Numa tentativa de prevenir que as embarcações americanas bloqueassem a importação japonesa de matéria-prima, os japoneses tentaram remover a frota americana e varrer a influência Ocidental do próprio Oceano Pacífico.

O plano era bombardear os navios de guerra e os porta-aviões que estavam no território do Hawai.

Isto deixaria a força da América no Pacífico tão fraca que a nação iria pedir a paz para prevenir a invasão do Hawai e do Alasca.

Infelizmente, o pequeno Japão não tinha os recursos, força humana, ou a capacidade industrial dos Estados Unidos.

Com uma mão nas costas, os americanos destruíram completamente os japoneses na Ásia e no Pacífico.

Uma das vítimas dos ataques aéreos foi o Shotokan Karatê Dojo que havia sido construído em 1939.

Com a América exercendo pressão em Okinawa, a esposa de Funakoshi finalmente iria deixar a ilha e juntar-se a ele em Kyushu no Sul do Japão.

Eles ficaram lá até 1947.

Os americanos destruíram tudo que estava em seu caminho.

As ilhas foram bombardeadas do ar, todas as cidades queimadas até o fim, as colinas crivadas de balas pelos cruzadores de guerra de longe da costa, e então as tropas varreram através da ilha, cercando todo mundo que estivesse vivo.

A era dourada do Karatê em Okinawa tinha acabado.

Todas as artes militares haviam sido banidas rapidamente pelas forças ocupantes americanas.

Primeiro uma, depois outra bomba atômica explodiram sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki.

Três dias depois, bombardeiros americanos sobrevoaram Tokyo em tal quantidade que chegaram a cobrir o Sol.

Tokyo foi bombardeada com dispositivos incendiários.

Descobrindo que o governo do Japão estava a ponto de cometer um suicídio virtual sobre a imagem do Imperador, cartas secretas foram passadas para os japoneses garantindo sua segurança se eles assinassem sua “rendição incondicional”.

O Japão estava acabado, a Guerra do Pacífico também, mas o pesadelo de Funakoshi ainda havia de acabar.

Nesta época, Gigo (também conhecido como Yoshitaka, dependendo como se pronunciava os caracteres do seu nome), filho de Funakoshi, um promissor jovem mestre de Karatê no seu próprio direito, aquele que Funakoshi estava contando para substituí-lo como instrutor do Shotokan, pegou tuberculose em 1945 e posteriormente veio a falecer, porque teimosamente recusava-se a comer a ração americana dada ao povo japonês faminto.

Funakoshi e sua esposa tentaram viver em Kyushu, uma área predominantemente rural, sob a ocupação americana no Japão.

Mas, em 1947, ela morre, deixando Funakoshi retornar a Tokyo para reencontrar seus alunos de Karatê que ainda viviam.

Depois que a guerra havia acabado, as artes militares haviam sido completamente banidas.

Entretanto, alguns dos alunos de Funakoshi tiveram sucesso em convencer as autoridades que o Karatê era um esporte inofensivo.

As autoridades americanas concederam então, a retomada da prática do Karatê, porque não tinham idéia realmente do que era o Karatê.

Também, alguns homens estavam interessados em aprender as artes militares secretas do Japão, então as proibições foram eliminadas completamente em 1948.

Em Maio de 1949, os alunos de Funakoshi movem-se para organizar todos os clubes de Karatê universitários e privados numa simples organização, e eles a chamaram de Nihon Karatê Kyokai (Associação Japonesa de Karatê).

Eles nomearam Funakoshi seu instrutor chefe. Em 1955, um dos alunos de Funakoshi consegue arranjar um Dojo para a NKK.

Em 1957, ano de sua morte, Funakoshi tinha 89 anos de idade.

Ele foi um professor de escola primária e um estudante de Karatê.

Ele mudou-se para o Japão (e não é um pequeno ato de coragem) e trouxe o Karatê consigo em 1922, dando ao Japão algo de Okinawa com seu próprio jeito pacifista.

No processo, ele perdeu um filho, sua esposa, o prédio que seus alunos fizeram para ele, seu lar, e qualquer esperança de uma vida pacífica.

Ele suportou uma Guerra Mundial que resultou em calamidade nacional, e ele treinou seus jovens amigos e conheceu suas famílias apenas para vê-los irem lutar e serem mortos pelas forças invencíveis dos Estados Unidos.

Ele viu o Japão queimar, ele viu os antigos templos e santuários serem totalmente aniquilados, ele viu bombardeiros enegrecerem o sol, e ele viu como um pilar de fumaça negra subia de cada cidade no Japão e envenenava o ar que ele respirava.

Ele viu o Japão cair da glória para uma nação miserável, dependendo de suprimentos de comida e roupas dos seus conquistadores.

O cheiro da fumaça e o cheiro dos mortos;

Os berros daqueles que foram deixados para morrer lentamente;

O choro das mães que perderam seus filhos e esposas que nunca mais iriam ver seus maridos;

O medo, o ruído ensurdecedor dos bombardeiros B-29’s voando sobre sua cabeça aos milhares, os clarões como os de trovões por todo o país quando as bombas explodiam em áreas residenciais, os flashes de luz na escuridão;

A espera no rádio para poder ouvir a voz do Imperador pela primeira vez, somente para anunciar a rendição;

A humilhação de implorar comida aos soldados… Os intermináveis funerais e famílias arruinadas e lares destruídos.

Tente e imagine o que ele suportou! !

A lição mais importante que ele nos ensinou está expressa em uma de suas histórias narradas por um de seus discípulos.

Uma vez quando passava pelo Dojo principal de Jigoro Kano, “o fundador do Judo”, ao caminhar pela rua, ele parou e fez uma pequena prece em frente ao Kodokan.

Também se estivesse dirigindo um carro, ele tiraria seu chapéu se passasse em frente ao Kodokan.

Seus alunos não entenderam porque ele estaria rezando pelo sucesso do Judô.

Então ele explicou:

“Eu não estou rezando pelo Judô”.

Eu estou oferecendo uma prece em respeito ao espírito de Jigoro Kano.

Sem ele, eu não estaria aqui hoje “.

Gishin Funakoshi, o “Pai do Karatê Moderno”, morreu em 26 de Abril de 1957.

Em seu túmulo pintado de preto, em forma de cruz, apesar de tudo o que ele suportou, estão as palavras:

”KARATÊ NI SENTE NASHI” (No Karatê não existe atitude ofensiva)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: